Escritor Marcelo Azevedo é o convidado de mais uma edição do projeto Novos Talentos

Escritor Marcelo Azevedo é o convidado de mais uma edição do projeto Novos Talentos

Livro de contos “Cercanias” é a obra de estreia do escritor; publicação foi viabilizada pela Lei Aldir Blanc e narra diferentes perspectivas sobre a capital mineira

A segunda edição do projeto Novos Talentos, da Biblioteca Pública Estadual de Minas Gerais, recebe um convidado que se inspira nas muitas nuances da capital mineira para contar sua história. Marcelo Azevedo bate um papo especial com o público sobre seu processo de produção literária e as motivações para a escrita do livro de contos “Cercanias” (2021). O encontro, que tem mediação de Eliani Gladyr, acontece na sexta-feira (19/3), a partir das 15h, no Instagram da Biblioteca (@bibliotecaestadualmg).

Cercanias é o resultado de um processo que começou sem que Marcelo pretendesse escrever um livro. Há dez anos, no último período de graduação, ele escreveu um conto “Fumar Mata”, o que ele considera como a primeira versão da obra. Desse primeiro encontro com a escrita, Marcelo se inspirou no edifício Lausanne, localizado no bairro Barro Preto, em Belo Horizonte. O conto foi escrito e reescrito e, nesse processo, o autor conta que encarou o desafio de transformar a palavra em realidade.

“Reescrevi esse conto várias vezes até o texto ser como ele é hoje. Com ele aprendi, minimamente, a narrar uma história; alterei narradores, retirei passagens, e quis transpor uma aura da cidade no conto. Belo Horizonte tinha que ser fidedigna. Quando dei por concluído, fiquei um tempo sem escrever, anotando ideias e tentando uma próxima história. Sucessivas viagens a Ouro Preto e uma viagem ao Rio de Janeiro fizeram reascender o empenho e a entrega às fantasias que me puseram a escrever com afinco, já pensando em uma série de contos que pudessem criar um ‘mapa’ de Belo Horizonte, não só geográfico, mas de costumes”.

Obra de estreia de Marcelo Azevedo no universo a Literatura, Cercanias é um livro mineiro e tem Belo Horizonte como grande protagonista. De acordo com o autor, a obra pode ser entendida como uma homenagem antagônica à cidade. “Ao passo que faz de BH literatura, o faz criticando a cidade, ou as relações travadas na cidade. A primeira ideia geral se deu ao projetar um “mapa”, ambientando as histórias e narrando os modos de vida, as relações entre as pessoas e as coisas na capital”, comenta Marcelo.

A antiga capital do estado, Outro Preto, também ganha destaque em Cercanias. A cidade histórica é um limite para a primeira parte da narrativa, em que o autor apresenta sua perspectiva sobre as duas cidades. Já a segunda parte de Cercanias, que ganhou o título de “O fim da infância” é composta por quatro contos ambientados em Belo Horizonte, representando as “narrativas da batalha entre a realidade e os sonhos, a sensibilidade e a fantasia das pessoas”, destaca o autor.

Escritas, processos e descobertas
Psicólogo por formação, Marcelo Azevedo tem sua própria técnica para trabalhar a escrita. Primeiro, com manuscritos, em que o autor pode revisitar sua história e modificar o que julgar necessário. Em seguida, desenvolvendo outras etapas do processo literário, o que permite um reencontro de ideias e situações.

“Escrevo à mão, preferencialmente a lápis, permitindo uma série de mudanças. Assim componho e finalizo a primeira versão, manuscrito que termina com uma estética caótica. Posteriormente, digito o texto no computador. A partir daí, começa o processo de lapidação. Na maioria das vezes, retiro ou refaço passagens, amplio certas cenas ou condenso outras. Especialmente os diálogos tomam mais tempo nessa fase, são o principal desafio. É como esculpir de um bloco, inicialmente, e depois seguir afinando e detalhando a escultura até onde ela possa ser realista, fidedigna”, explica o escritor.

Inspirado por grandes nomes da Literatura, como Machado de Assis e Gabriel García-Márquez, Marcelo Azevedo foi sendo inspirado por diferentes estilos literários. Entre descobertas, o escritor conheceu, ainda na adolescência, o Suplemento Literário de Minas Gerais, referência de Literatura no estado. “A maioria dos textos estava além da minha capacidade de associação e de referências, mas gostava de ler e de me empurrar para textos que impunham novidades de temas, de ideias, de formas, de gêneros, de artes”, explica.

E, dessa descoberta do Suplemento, o escritor passou para o processo de publicação no Caderno. É de autoria de Marcelo Azevedo o texto “Consulta ao passado”, primeiro conto publicado do autor. O material fez parta da edição nº 1.382 do Suplemento, divulgada em 2019. “Encaminhei o material e esse conto foi selecionado. Não há maior prazer e sentimento literário do que ter sido publicado no Suplemento.”

A publicação do livro Cercanias foi viabilizada por meio do Edital N°24/2020 – Seleção de Propostas de Publicações Literárias da Lei Federal 14.017/2020 – Lei de Emergência Cultura Aldir Blanc, publicado pela Secretaria de Estado de Cultura e Turismo de Minas Gerais (Secult), por meio da Superintendência de Bibliotecas, Museus, Arquivos e Equipamentos Culturais (SBMAE). “A Lei Aldir Blanc contribui sobremaneira para uma cadeia produtiva do mercado editorial, possibilitando o trabalho de vários profissionais”, opina.
 

 
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