Resenha da Semana: O menino do pijama listrado, de John Boyne

Resenha da Semana: O menino do pijama listrado, de John Boyne

BIBLIOTECA PÚBLICA ESTADUAL DE MINAS GERAIS
Setor de Empréstimo Domiciliar
 
BOYNE, John. O menino do pijama listrado. São Paulo: Cia das Letras, 2007. 192 p.

John Boyne é um escritor e romancista irlandês que começou a escrever aos 19 anos e teve seu primeiro romance publicado dez anos depois. Trabalhou durante sete anos em uma livraria e lançou recentemente seu sétimo romance. Suas obras alcançaram a marca de trinta idiomas publicados, sendo “O menino do pijama listrado” um best seller em Nova York. O livro nos coloca dentro de um marco histórico muito doloroso e difícil na vida de todos, a Segunda Guerra Mundial. Mas se tem uma lição que essa obra poderia passar para todos que a lerem, é a da sensibilidade, esperança, amizade e inocência de duas pequenas crianças.

Somos apresentados a um dos personagens centrais da história, Bruno, um garoto de apenas nove anos, que tem uma vida muito boa e repleta de felicidade junto com sua família. Seu pai trabalha no exército da Alemanha com um cargo de alta patente, e a família mora em Berlim, um lugar com muitas oportunidades e onde Bruno se sente feliz. Bruno recebeu a notícia de que todos deveriam se mudar de cidade, pois o trabalho do seu pai exigia essas mudanças. Mas ele não fazia parte dessa vida, não se interessava pelas obrigações de seu pai, nem sabia ao certo a gravidade das coisas horríveis que estavam acontecendo.

Mas como uma criança de nove anos teria essa percepção, não é mesmo?

Chegando na casa nova, Bruno e sua família aceitam a nova realidade. Havia muitas restrições, poucos lugares liberados para andar, brincar ou passear, e nunca podiam sair sem proteção ou supervisão. Bruno não estava nem um pouco satisfeito com essa nova realidade, mas aceitava, pois não havia o que fazer a respeito. Com essa adaptação à casa nova, à vida nova em que eles estavam vivendo, Bruno se acostumou ao que tinha à disposição. Enquanto estava em seu quarto, viu que mais adiante de sua casa, existia um lugar estranho, com muitas cercas e pessoas com roupas iguais. Claro que ele ficou extremamente curioso e decidiu ir até lá para descobrir o que era. Ao chegar na cerca em que ele havia visto da janela de seu quarto, Bruno deu de cara com uma outra criança. Ele tinha a mesma idade e vivia ali como prisioneiro junto com sua família.

Bruno não entendia direito o porquê eles estavam daquele lado da cerca, e porque Shmuel, o garotinho, não podia passar a cerca para brincar com ele. Uma cerca não seria empecilho para que uma amizade fosse criada. E Bruno decidiu que iria todos os dias ver seu novo amigo e sempre levava alguma comida de casa para ele, pois todos imaginam como um judeu vivia naquela época. Eles conversavam sobre tudo. Bruno tinha muita curiosidade de ver o campo de concentração, mas Shmuel lhe dizia que não havia nada ali para ver além de pessoas trabalhando, vários doentes, pessoas debilitadas, e nem lugar para brincar eles teriam. Um mundo dividido em duas realidades por uma cerca.

Como ali era um campo de concentração um pouco menor, os judeus serviam nas casas dos oficiais, quando acontecia algum evento importante, e foi isso que aconteceu. Bruno se arrumou todo, pois iria acontecer uma festa em sua casa e quando ele se assustou, viu seu amigo Shmuel servindo comida, vestido com sua roupa listrada. Bruno ficou com medo de que o pretendente de sua irmã descobrisse que ele era amigo de um garoto do lado de lá da cerca e fingiu que não conhecia Shmuel. Após a festa, o pai de Bruno avisou à família que eles partiriam dali e voltariam a Berlim, mas Bruno estava pensando em como se redimir com Shmuel e sabia que iria embora em alguns dias, então decidiu além de se despedir, fazer uma prova de sua amizade e foi até a cerca.

O livro nos mostra a inocência e a fidelidade das crianças e nos faz refletir sobre como o poder em mãos erradas, pode destruir nações. O final é comovente e reflexivo.

Será que essa amizade sobreviverá a uma visita ao campo? O pai de Bruno descobrirá que seu filho conseguiu ir para o outro lado? Como Shmuel vai ficar sem sua companhia de todos os dias?

A realidade e a crueldade do mundo bateram à porta dessas duas crianças…

Resenha por: Laura de Freitas Tartaglia Reis
Servidora do Setor de Empréstimo da Biblioteca Pública Estadual de Minas Gerais

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